Minha mãe de familia sitiante muito pobre com dezessete irmãos veio para cidade trabalhar em casa de familia.
Meu pai filho de pais separados desde jovem trabalhava para sustento da casa auxiliando a mãe no sustento de outros seis filhos.
Se conheceram no curso supletivo para adultos, e casaram-se. Desde casamento nasceram tres meninas, das quais eu sou a mais velha.
Nossa familia era simples mais tinhamos um relacionamento de amor, e companherismo. Papai, trabalhava como motorista de caminhão de uma empresa do ramo alimenticio da cidade. As vezes passava até dez dias fora de casa. Nas ferias sempre levava uma das menininhas para praia. A viajem era sempre motivo de muita alegria, caminhão, a comida feita no furgão, as paradas e muita musica.
Apesar de não serem frequentes essas viagens foram muito marcantes para mim e as memorias serao eternas. Sentiamos muito a ausencia de papai em casa. Mas sempre que estava conosco tudo era festa.
Ele brincava como uma criança, rolava na grama, cantava, corria, ele era a alegria das criancas dos vizinhos tambem.
Quando perguntavamos porque tinha que ir viajar ele respondia:_ È para ganhar dinheiro para gastar com voces.
Moravamos em uma casa de madeira e pagavamos aluguel, no quintal tinhamos tres mexiriqueiras que eram a alegria de papai.
Mamae fazia as nossas roupas, e quando iamos passear saimos bem cedo pois a caminhada era longa.
Apesar da simplicidade de nossa vida eramos muito felizes. Não me lembro de maus momentos em meu lar especialmente com meu pai.
Infelizmente, o destino nos separou muito cedo. E dele só restou a lembrança.
A vida á partir dai ficou um pouco mais dificil. Mamãe trabalhava muito para manter a casa, e notava-se que ela havia perdido o entusiasmo para viver.
Desde muito nova comecei a fazer pequenos trabalhos para ajudar no sustento da casa. Pintavamos pano de prato, mamãe fazia croche, e nós saimos na rua oferecendo para a vizinhança. Sempre vendiamos tudo, pois papai e mamae eram bem conhecidos na vila, especialmente pelo fato de estarem sempre dispostos a ajudar a todos os que precisavam. Agora os vizinhos retribuiam comprando os panos. Depois comecei a trabalhar como baba, cuidando das criancas dos vizinhos.
A depressão não deixou passar ninguem. Em meu lar não havia mais motivação e a felicidade havia nos deixado.
Foi ai que depois de muito procurar eu encontrei respostas para todas as minhas duvidas.
Fui a uma Igreja e nela fui apresentada a Jesus. Um grande amigo.
Ele satisfez todos os anseios do meu coração para aquele momento e me deu muitas promessas para um futuro muito constante.
A despeito da responsabilidade que sentia em auxiliar minha mãe, decidi ir estudar em um Instituto em São Paulo, capital, no regime de internato.
A nossa condição financeira ainda não era das melhores. E nesse Instituto eu poderia estudar e pagar minhas dispesas com material, alojamento e alimentação com o trabalho. E assim me despedi da familia e embarquei nessa grande aventura acompanhada por minha melhor amiga Ale. E claro que se não fosse por ela com certeza eu não teria tido tamanha coragem de ir.
Logo que chegamos, descobri que não seria tão facil como eu imaginava. Nas ferias escolares os alunos bolsistas assim como eu deveriam trabalhar dez horas diarias. Eu fui enviada para o refeitorio, e para realizar a tarefa mais dificil, lavar as panelas ” enormes panelas”.
Aqueles dois meses foram os mais longos da minha vida. Durante o periodo de aula trabalhavamos apenas no contraturno escolar. E para que pudesse viajar para casa nas ferias eu fazia horas extras diariamente trabalhando algumas horas a mais. As vezes acordava as quatro da manhã ia ao refeitorio para preparar o cafe da manha das enfermeiras e assim adiantava algumas horinhas a mais.
Apesar do trabalho arduo considero que aqueles foram os anos dourados da minha vida. Fiz muitos amigos, ali. Aprendi muitas coisas sobre a vida e ali conheci meu esposo. Detalhes sobre como nos conhecemos clique aqui.
No colegio fiz de quase tudo um pouco. Depois que sai do refeitorio fui trabalhar no correio. Era otimo, mas não fiquei muito tempo lá. Fui convidada a trabalhar no PABX, o que foi muito bom. Ali eu trabalhava sem pressão e tinha ate tempo de estudar entre uma ligação e outra. Ali fiz minha primeira blusa de tricô, deu tempo de fazer um para o maridão também.
Quando começamos a pensar em casar tanto eu quanto ele não tinhamos ideia de como conseguiriamos dinheiro para o casamento e a casa.
Resolvemos trabalhar para isso arduamente. Sempre que tinha casamento no colégio, lá iamos nós como garçon e garconete. Outros colegas iam tambem e era sem duvida a maneira mais divertida de conseguir algum dinheiro lá.
Lavar roupa para os rapazes, não era tão divertido assim, mais ajudava muito financeiramente.
Ele dava aulas de karate, e de e natação, para conseguir algum dinheiro.
Quando terminei os estudos ali, recebi um convite de trabalho no setor de contabilidade da Associacão Paulistana. O salario era otimo, e eles ofereciam casa para morar junto com outras moças funcionarias a dois quarteiroes da empresa. Rapidinho juntei um bom dinheiro. Ele tambem conseguiu aulas em um Instituto. Compramos os moveis necessarios para nossa casa e seis meses antes dele se formar , nós nos casamos.
Após a formatura, meu então esposo recebeu um convite de trabalho na cidade de Maringá, apesar de não ser a melhor proposta resolvemos aceitar para ficar um pouco mais perto da familia( a milha é claro) ja que a dele morava lá mesmo em São Paulo.
Assim começamos nossas aventuras de cidade em cidade onde nos mandavam iamos. Fazer amigos e depois deixa-los. Para mim talvez isso tenha sido o ponto chave para desistir desse trabalho.A vida é mais que apenas um ganha pão e os amigos são essenciais para a felicidade na vida de qualquer pessoa.
Bom tenho ainda muito mais para contar, mas estou muito cansadinha então fica pra uma proxima ok.









Nunca imaginei que tivesse sido tão dificil assim pra você a auxencia do pa, sinto ter sido tão imatura.