DISCIPLINA – UM ATO DE AMOR
I - INTRODUÇÃO
Como pais, ou responsáveis pela formação do caráter de uma criança, temos diante de Deus e da sociedade uma responsabilidade muito grande: orientar e treinar os nossos filhos para que cresçam saudáveis e felizes.
A palavra disciplinar significa educar ensinai instruir. Ensinar significa ficar atrás da criança continuamente. Muitos pensam que falar uma vez com ela, já é suficiente. Entretanto, ensinar envolve treinamento contínuo.
Cada lar enfrenta situações diferentes e peculiares. Isto porque cada criança é única e diferente de todas as outras. Nem mesmo na família, um filho é igual ao outro. Não fomos todos prensados no mesmo molde. Isto se torna um problema para os pais e temos de compreender que não podemos igualar um filho ao outro.
A disciplina não é optativa.
Provérbios 29:17 diz: “Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma”. Isto é um mandamento, não uma sugestão. Se obedecermos ao mandamento, poderemos esperar o cumprimento da promessa de desfrutarmos delícias de um lar bem formado.
II - EXPOSIÇÃO DO TEMA
No tema de hoje, classificamos dois fatores importantes e fundamentais para educar e disciplinar nossos filhos.
1 - Ter normas claras, definidas e compreendidas por toda família. Os filhos devem saber os limites e as conseqüências que sofrerão se não obedecerem às normas estabelecidas.
2 - Um compromisso de respeitar, apoiar e amar cada filho incondicionalmente.
III - OBJETIVOS DA DISCIPLINA
1. Ensinar à criança o domínio próprio.
“O objetivo da disciplina é ensinar à criança o governo de si mesma. Não há nada mais triste do que ver uma criança que não tem auto-controle e não pode ser controlada pelos pais e por ninguém.”
Disciplinamos externamente para obtermos o controle interno.
Uma mãe costumava cantar para a sua filha, antes de dormir o hino “Jesus me ama”, e depois, orava com ela. Certa ocasião, uma visita observou que a criança cantou e orou antes de dormir A visita ficou impressionada de ver como aquela criança tão pequena havia formado este hábito! Vejam bem, esta é uma forma de disciplina. Fazemos uso da disciplina exterior para obter controle interior. Provérbios 25:28 explica: “Como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio.”
Você quer filhos que sejam cidades derribadas?
Há filhos que se abalam quando acontece algo inesperado, desagradável. Os pais perguntam:- “O que será que aconteceu ? O que fiz? Dei tudo! Fiz de tudo!” Mas aquilo de que ele mais precisava era dos próprios pais. E como roubamos aquilo que é mais importante e de que eles mais precisam – nós mesmos – se sentem sem nada. Eles nos querem pessoalmente, não em representação, nem por meio do aparelho de TV. Não é a babá eletrônica, não é a Internet que vão dar a eles o domínio próprio. Esta tarefa só é possível unicamente através dos pais e esta é sua responsabilidade.
2. Ensinar a obedecer com amor. “A obediência aos pais no Senhor é a mais importante lição que os filhos devem aprender.” – op. cit. p. 224. “Às crianças corresponderão com uma obediência voluntária à regra do amor.” – CPPE, p. 101
3. Ordens, mas com amor. Algumas ordens simples e práticas que levarão os filhos menores a obedecerem com prazer porque eles saberão que tais obrigações fazem parte da vida:
– Vamos tomar banho e pôr aquele vestido novo para esperar o papai.
– Vamos tomar banho e colocar o perfume de que você gosta?
– Hoje está tão frio, vamos tomar um banho quente na hora de dormir?
– Agora vá dormir, para amanhã irmos ao supermercado comprar frutas.
Para os que têm medo do escuro:
– Vá dormir e pode deixar a luz do corredor acesa!
Muitas vezes a pergunta é mais eficaz que a ordem severa e com voz de agressividade. Podemos perguntar de uma forma respeitosa, olhando para os olhos da criança para que ela perceba que o que estamos falando deve ser obedecido.
– Você já escovou os dentes? (sem chamá-lo de desleixado)
– Você já tomou banho? (sem chamá-lo de rebuscado).
– Você já arrumou a cama? (sem chamá-lo de preguiçoso).
– Você já fez as tarefas escolares? (sem classificá-lo de vagabundo e sem responsabilidade).
III - ESCOLHENDO O MÉTODO DE DISCIPLINA
“Os incentivos são às vezes melhores que os castigos.” – op cit., p. 249.
Cada pessoa responsável por ensinar uma criança deve, em primeiro lugar, conhecer-lhe o temperamento e, a partir deste aspecto, aplicar o método que seja mais conveniente e que a criança seja capaz de atender e aceitar o castigo como um ato de amor. Ela deverá saber que este castigo a ajudará a ter domínio próprio e que os pais não estarão felizes por castigá-la. Explicar-lhe sempre, com detalhes, o porquê do castigo.
1. Comunicação e diálogo
Use este processo, em todos os momentos, e em qualquer ocasião. Antes de usar outro método, utilize o diálogo. Procure ter uma postura de autoridade, mas com respeito. Fale firme, mas não com aspereza e desequilíbrio.
2. Recompensa
Quando a criança faz algo especial, ou seja, desenvolveu suas obrigações e tarefas sem que os pais mandassem, ofereça uma recompensa.
3. Extinção ou perda de privilégio
Toda vez que a criança deixar de cumprir uma tarefa ou não obedecer facilmente, ela perde um privilégio (exemplo: diminui a mesada, não vai andar de bicicleta, não assistirá a tal programa na TV).
4. Conseqüências naturais
Mostrar à criança que cada vez em que ela não obedecer ou deixar de cumprir alguma responsabilidade, sofrerá as conseqüências, e ela será a mais prejudicada.
5. Exemplo ou imitação
Este método funciona bem em todas as idades e fases. Os filhos imitam e seguem o exemplo dos pais ou dos responsáveis pela sua educação.
6. Estabelecendo limites - contratos
Gerry Smolley, especialista em relacionamento familiar, orienta como usar este método por meio de contratos.
Em primeiro lugar, os pais ou responsáveis organizam uma reunião em família, na qual todos participam da elaboração de um contrato familiar.
Exemplo de contrato:
Parte 1 - Limites familiares
“Obedecer aos pais
responder imediatamente,
não reclamar,
não aborrecer.”
“Guardar os objetos depois de usá-los brinquedos na garagem, roupas usadas no cesto, ter um lugar para cada coisa, e cada coisa em seu lugar.”
“Responsabilidade
arrumar o quarto antes de sair para a escola,
pôr os talheres e pratos na pia, após cada refeição,
fazer as tarefas antes de brincar,
fazer tarefas especiais quando os pais precisam de ajuda.”
“Boas maneiras
nas refeições tomar lugar à mesa,
agradecer pelos alimentos antes de se alimentar,
mastigar a comida com a boca fechada,
pedir desculpas, licença e dizer “muito obrigado”.”
“Higiene Pessoal
tomar banho diariamente,
escovar os dentes após as refeições e ao levantar.”
Assinatura_________________________________
RESPONSABILIDADES PRIVILÉGIOS (perdidos por 24h)
1 - Obediência Brinquedos
2 - Guardar os pertences Televisão
3 - Tarefas Lanche na escola
4 - Cortesia Passeios com a família
5 - Higiene Trazer amigos em casa
Assinatura: _______________________________________
7. Ponto … Por Ponto
Organize uma ficha e cole na porta do guarda-roupa e cada dia avalie o desempenho da criança. Cada tarefa feita vale tantos pontos; duas tarefas não feitas são dois pontos negativos.
Ficha de Avaliação Ponto … por ponto
Nome Total Ponto
2º 3º 4º 5º 6º
1. Obediência
2. Tarefas Escolares
3. Quarto arrumado
4. Roupas no lugar
5. Escovar os dentes
Ponto
Combinar com a criança que se ela alcançar tantos pontos positivos, irá merecer tal prêmio ou privilégio.
Exemplo: O seu filho tem muita vontade de ter uma bola de vôlei. Até o final do mês, ele deverá alcançar 200 pontos para merecer este prêmio.
Pais, usem o incentivo que leve realmente a criança a se empenhar em alcançá-lo.
Faça uma linda cerimônia de entrega do prêmio. Como será avaliada todos os dias, ela procurará atender aos itens com mais facilidade, até chegar o momento em que isto se torne um hábito. A partir daí, o método perde o valor porque já ocorreu a aprendizagem. Você poderá passar para outras atitudes que precisem ser melhoradas.
III - QUANDO USAR UM CASTIGO MAIS SEVERO
Provérbios 22:15 - “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe.”
Algumas vezes a vara é necessária
“(…) A vara pode ser necessária quando falharam outros recursos; contudo não deve fazer uso dela se for possível evitar. Mas, se medidas mais brandas se mostrarem insuficientes, deve administrar-se com amor o castigo que levará a criança à compreensão de seus deveres. Freqüentemente um só destes corretivos será suficiente para mostrar por toda a vida que não está observando a disciplina.” CPPE 116.
Um bom princípio é nunca castigar quando os pais estão irritados. Controlem as emoções e depois expliquem o porquê de a criança estar sendo castigada. Ela precisa saber que, seja qual for a forma de punição, é aplicada porque ela é amada.
Corrigir não é espancar, nem exteriorizar a raiva, mas sim, uma difícil, mas necessária maneira de expressar amor. Precisamos de sabedoria, autocontrole e humildade para exercer tão relevante tarefa.
IV - DISCIPLINANDO COM COERÊNCIA
Se ora permite, ora proíbe, ora censura, ora aplaude, a criança terá dificuldade em entender as normas e as leis da sua família.
O errado é sempre errado. Se a criança quebra um vaso comum, mesmo de propósito, muitas vezes, isto não é levado em conta. Mas, se ela quebra um vaso de cristal, recebe o castigo. A correção deve ser pelo mau comportamento, não pelo valor do objeto.
Quando os filhos errarem, eles precisarão de disciplina na base do amor, da compreensão, orientação, paciência e exemplo!
Se amar o filho que erra é tão básico para o seu crescimento, precisamos falar com ele de maneira respeitosa, permitir que ele desabafe seus conflitos interiores, para que se torne outra vez amável. Deve ser levado a aceitar com humildade o erro e a não ficar com sentimentos negativos.
Precisa olhar para cima e ter certeza de que pode vencer os obstáculos.
“… Ensina-se à criança e ao jovem que todo o erro e falta, toda as dificuldades vencidas se tornam um degrau no acesso a causas melhores e mais elevadas.”
V - A DISCIPLINA TEM CONSEQUÊNCIAS ETERNAS
A criança que não aprender que a desobediência traz alguma conseqüência ruim, terá dificuldade em aprender a obedecer a Deus quando adulta.
VI - CONCLUSÃO
PAIS E DEUS UNIDOS NA MESMA MISSÃO
Pais, Deus tem interesse em ajudá-los na educação de seus filhos, mas Ele espera que vocês cumpram primeiro a sua parte.
“Quando cumprirem o dever de educar dentro das suas possibilidades e capacidades, tenham certeza de que o Pai eterno fará o papel de suprir as áreas que fugiram ao alcance dos pais.
Ore pelo seu filho.
Antes de corrigi-lo, peça a Deus que abrande o seu coração.
Ao precisar corrigir seu filho, não o faça se estiver sentindo raiva.
Proporcione um ambiente de amor, alegria e compreensão na família.
Faça os encontros semanais de família.
O culto familiar diário contribui, grandemente, para que as crianças se tornem mais amáveis.
Que sua família possa ser uma família muito feliz.